A barreira cutânea protege a pele ao limitar a perda de água e dificultar a entrada de substâncias do exterior. No corpo, esta função depende sobretudo da camada córnea, a parte mais superficial da epiderme. Pode imaginá-la como um muro: os tijolos são células chamadas corneócitos e a argamassa é composta por lípidos.
A camada córnea: tijolos e argamassa
A pele tem três grandes camadas: a epiderme à superfície, a derme por baixo e o tecido subcutâneo em profundidade. A camada córnea é a parte da epiderme que está em contacto direto com o ambiente.
Os corneócitos, células protetoras
Os corneócitos são células que completaram a sua transformação na epiderme. São achatados, não têm núcleo e formam várias camadas que se renovam aos poucos. Apesar de serem muitas vezes descritos como «células mortas», ajudam a proteger a pele.
A forma como estas células se mantêm unidas e a espessura da camada córnea influenciam a passagem de moléculas. À superfície, as células desprendem-se naturalmente à medida que a pele se renova.
Os lípidos, uma argamassa organizada
Entre os corneócitos, os lípidos organizam-se em lamelas. Esta organização ajuda a limitar a passagem de substâncias através da epiderme. Não se trata de uma simples camada de gordura à superfície da pele.
O modelo dos «tijolos e argamassa», descrito pelo DermNet na sua explicação sobre a função de barreira, ajuda a perceber como os corneócitos e as estruturas à sua volta protegem a pele.
Como a barreira protege a pele
Reter a água
A água presente nos tecidos pode atravessar a epiderme e evaporar-se à superfície. A camada córnea abranda esta passagem, ajudando a pele a conservar água sem a tornar totalmente impermeável.

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Esta perda natural chama-se perda de água transepidérmica, muitas vezes abreviada como TEWL, do inglês transepidermal water loss. Quando a barreira é menos eficaz, pode deixar escapar mais água.
Limitar as agressões do exterior
A pele também resiste a agressões mecânicas, químicas e microbianas. A camada córnea limita, em particular, a passagem de moléculas provenientes do ambiente.
Algumas substâncias conseguem, ainda assim, atravessar a pele. Isso depende das suas características, do estado da barreira e de outros fatores.
Perda de água e transpiração: qual é a diferença?
A pele pode perder água através da epiderme mesmo quando parece seca. Esta difusão passiva não é o mesmo que o suor produzido pelas glândulas sudoríparas, que ajuda a regular a temperatura do corpo.
| Fenómeno | Como sai a água? | O que observa |
|---|---|---|
| Perda de água transepidérmica | A água atravessa a epiderme e evapora-se. | É geralmente invisível. |
| Transpiração | As glândulas sudoríparas produzem suor. | Pode humedecer a pele ou formar gotas. |
Mesmo sem suor visível, a pele continua a perder água. Já transpirar muito não significa necessariamente que a barreira esteja alterada.
O que ter em conta nos cuidados do corpo
A superfície da pele ajuda a protegê-la: não é uma camada inútil que precise de remover. Se tem interesse em esfoliantes naturais para o corpo, lembre-se de que a esfoliação remove células superficiais. Esfregar mais não melhora automaticamente a proteção da pele, e uma zona irritada não deve ser esfoliada.
Um óleo aplicado à superfície não é o mesmo que os lípidos organizados entre os corneócitos. No nosso artigo sobre óleos vegetais nos cuidados do corpo, falamos destes ingredientes cosméticos, que não equivalem à estrutura da barreira cutânea.
Saber para que serve um ativo cosmético ajuda a compreender um cuidado. Mas essa informação não basta para saber como o cuidado afeta a barreira cutânea no seu conjunto.
FAQ
A barreira cutânea é visível?
Consegue ver a superfície da pele, mas não observar diretamente a sua função de barreira. Uma pele lisa ou brilhante, por si só, não diz se a barreira está a funcionar bem.
O filme hidrolipídico é toda a barreira cutânea?
Não. Este filme superficial contribui para a proteção da pele, mas a barreira depende também da estrutura da epiderme, sobretudo dos corneócitos e dos lípidos da camada córnea.
Uma sensação de repuxamento prova que a barreira está danificada?
O repuxamento é um sinal de desconforto, mas não permite saber qual é a causa. Se a vermelhidão, as fissuras ou a comichão persistirem, peça aconselhamento a um profissional de saúde.
Fonte: DermNet, «Skin barrier function», para a anatomia e as trocas cutâneas.
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